Tuesday, November 09, 2010

Jordânia



Chegamos de noite e a a areia tentou entrar-me nos sapatos. Isto tudo no meu imaginário.
Mas chegamos de noite. Esta parte é verdade.

Era tudo amarelo, sempre amarelo e cheio de areia… como nunca… cheio de areia.
O carro segue sempre… cheio de areia… não o carro mas a paisagem.
E segue… é tudo amarelo…
Areia dos dois lados… ou amarelo dos dois lados.
Deserto… areia… dos dois lados…
Como se nada fosse… Deserto.
E se Jesus Cristo chamasse eu acordaria.
Mas eram miragens de Maomé.
Jerusalém e Belém, lá ao longe.
E mais tarde estavas tu, Salomé…
Impediosa ainda estás.
Mas sou Eu.
É um castelo lindo… ou restos dele… onde João Batista perdeu a cabeça.
E a linda Israel do outro lado.
Somos dois num carro alugado mal estacionado.
Somos dois… e Salomé. Não vai haver novidade. Rodeados de areia ou deserto.

É isto a Jordania. Uma terra amarela onde os muçulmanos têm história cristã e vivem bem com isso. Onde mulheres de cabeça coberta convivem com mulheres de cabeça descoberta. Onde há o direito de escolha.

Mas mais kilometros de estrada amarela. Uns rebanhos de camelos que no Alentejo seriam vacas. Uns desertos que ultrapassam óasis de Oliveiras. Que não querem saber.

E chegamos a Petra, a senhora que manda, imponência a sua, fantasticamente humilde perante predadores de turistas. Não se pode descrever uma cidade do passado esculpida em montanhas… ninguém iria acreditar.
Eu própria mal acreditei quando atravessei o Siq e vi Al Khazneh, tão delicadamente esculpida no fim do desfiladeiro. Olhem em volta e imaginem caravanas de outros tempos.

Mas a Jordânia é um país como outro qualquer. Talvez as Hijab e os jeans se misturem com mais facilidade do que o esperado.

Em época de eleições não há um sinal de trânsito que não esteja escondido por cartazes. Nem sabemos para onde virar.
E se vamos para o deserto é porque tem que ser. Assim como o é o mar morto, azul turquesa que contrasta o amarelo.
Tirar fotografias agarrada a um catálogo de viagens porque é a imagem da praxe. Ou quando te fui buscar água porque decidiste mergulhar no mar morto.

Continuamos no deserto, mergulhamos em Amam. O coliseu, oásis da parte velha e a sua imagem de marca. Onde um homem fotografa mulheres e crianças de uma família… feliz pelo momento.

Ouve-se o Muezzin mas demasiado disperso.